Brasília, 6/6/2008 – O Ministério do Planejamento liberou hoje mais 775 vagas para a administração federal através de concurso público, parte delas para a substituição de terceirizados. A medida publicada no Diário Oficial da União desta sexta-feira, 6, abrange o Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit), Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

Conforme a Portaria nº 147, o Dnit poderá lançar concurso público dentro de seis meses para o provimento de 100 cargos de analista de Infra-Estrutura de Transportes.

Para a Anatel o Ministério do Planejamento autorizou a contratação de 247 novos servidores para cargos que exigem níveis médio e superior de escolaridade. A Portaria nº 148 especifica o quantitativo oferecido em 69 vagas para especialista em Regulação, 75 vagas para analista Administrativo, 74 para técnico em Regulação e 29 para técnico Administrativo.

O concurso público da Funasa, segundo a Portaria nº 151, terá uma oferta total de 419 vagas. O provimento dos cargos será direcionado para substituir trabalhadores não amparados pelo Decreto 2.271/97, que faculta para algumas profissões a atividade no serviço público sem concurso.

A Portaria nº 151 define 214 cargos de nível superior, para os quais poderão concorrer administradores, analistas de sistemas, arquitetos, arquivistas, auditores, biólogos, engenheiros, entre outros, e 205 cargos de técnico em Contabilidade e agente Administrativo, ambos de nível intermediário.

Já a Portaria nº 152, autoriza a Abin a realizar concurso público para nove cargos de tecnologista da Carreira de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico. Os novos servidores farão parte do quadro de pessoal do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento para a Segurança das Comunicações (CEPESC).

Segundo a Portaria, o concurso da Abin poderá ocorrer junto com o concurso para o Ministério da Ciência e Tecnologia, autorizado em fevereiro deste ano pela portaria 22 do Ministério do Planejamento. Se assim ocorrer, o ato convocatório do concurso do MCT deverá mencionar as nove vagas de tecnologistas destinadas ao CEPESC da Abin.

Região/Estados: Nacional (RJ)

Escolaridade: Nível Superior, Nível Médio

Vagas: Cadastro reserva

Especiais: 1 contração de PNE para cada 20 contrações

Cadastro de Reserva: Sim

Salário: Máx.: R$ 6.733,67
Min.: R$ 1.946,05

Cargos: Profissional Básico (formações de Análise de Sistemas - Suporte, Arquitetura, Arquivologia,Biblioteconomia, Direito e Geologia) e Técnico Administrativo.

Incrições: 28/05/2008 a 16/06/2008

Prova(s): 19 e 20/07/2008

Validade do concurso: 1 ano, contado a partir da data de publicação de sua homologação no Diário Oficial da União.

Organizadora: CESGRANRIO


Fonte: CorreioWeb


Região/Estados: Nacional (AM, PA, RO, RR, BA, CE, PE, MS, DF, MG, SP, RJ, PR)

Escolaridade: Nível Médio

Vagas: 160

Cargos: Controlador de tráfego aéreo

Incrições: 02/06/2008 a 13/06/2008

Organizadora: CONCURSO REALIZADO PELO PRÓPRIO ÓRGÃO

Ainda existe no imaginário de muitos aquela velha idéia de que quem conquista um lugar no funcionalismo público pouco trabalha e muito ganha. Basta lembrar da marchinha de carnaval de Haroldo Barbosa que se referia aos "barnabés", os antigos burocratas da capital federal que penduravam os paletós na sala de trabalho e nada faziam. A imagem do funcionário público acomodado e sem ambição, no entanto, tem mudado, principalmente na capital federal, terra dos concursos.

O professor do Obcursos, Wilson Granjeiro, acredita que o estigma de pessoas pouco producentes, carregado pelos servidores, caiu por terra em meados da década de 90. "Houve uma grande mudança cultural dentro do serviço público. Os órgãos hoje exigem desempenho e qualidade. Um concursado tem que ter raciocínio lógico, ser atualizado e organizado", diz. O docente, que já foi servidor de órgãos do Governo do Distrito Federal, do Ministério da Justiça e Rede Sarah, afirma que batalhou muito para crescer dentro do funcionalismo. "Já trabalhei em muitos natais, anos novos e já virei muitas noites para terminar trabalhos que levava para casa", relembra.

O docente afirma ainda que pessoas que não se enquadram no conceito de pró-atividade não servem como peças importantes dentro de uma empresa. "As metas têm de ser atingidas e dentro de uma empresa não sobrevivem pessoas que pensam no cargo público como bico ou forma de ganhar dinheiro e não fazer nada", opinia. Segundo Granjeiro, uma pesquisa realizada com 16 mil alunos de cursinhos mostrou que 90% dos concurseiros que ingressam no serviço público desejam se manter nele até a aposentadoria.

Imagem do serviço púbico

O procurador da Fazenda e colaborador do CorreioWeb Leandro Bueno acredita que a carga de trabalho varia de acordo com cada órgão, mas com ressalvas. "Muitas vezes casos isolados fazem com que os concursados levem a fama de que não trabalham", diz. Bueno afirma ainda que os grandes salários oferecidos pelos órgãos atraem os cidadãos comuns que não possuem conhecimento sobre o funcionamento da administração pública. "Pessoas leigas não entendem como as coisas acontecem dentro de um órgão. Elas imaginam que vão bater um ponto no trabalho sem pensar na questão da pró-atividade e do serviço público", argumenta.

Quando ingressou no serviço público há oito anos, Bueno já esperava o que viria pela frente. "Já tinha ouvido falar sobre a rotina do serviço. Hoje eu me deparo com uma quantidade imensa de trabalho", discursa. E o salário de procurador faz jus à carga. "Eu não tenho um horário fixo. Muitas vezes começo às 9h e fico em reuniões que varam até as 21h, levando até trabalho para casa", conta.

Realidade

Daniel Moraes* é servidor do Superior Tribunal de Justiça desde 2003. O advogado conta que, no início, quando ainda não ocupava um cargo de confiança, a carga horária era seguida segundo a regra. Após ser nomeado em um cargo de maior responsabilidade, a jornada de atividades cresceu de maneira absurda. "Hoje em dia chego às 9h e fico até as 20h", garante. Moraes não se assustou com a mudança. "Como meus pais são servidores públicos, eu já sabia que seria assim", explica.

O servidor afirma que no Judiciário não há tempo para ficar parado. "Aqui o trabalho é muito puxado, em geral. Não há um lugar no Tribunal em que as pessoas não estejam trabalhando bastante", conta. Moraes enfatiza que, no serviço público, não há mais espaço para moleza. "Todo mundo quer ganhar muito e trabalhar pouco. Mas geralmente no serviço público é assim: quanto maior o seu salário, maior o seu trabalho", finaliza.

*A pedido, o nome do entrevistado foi trocado.


CorreioWeb (10/06/2008 17:30)

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